Rodeada pelas suas muralhas, a vila estremenha é o testemunho vivo dum passado recheado de história e de acontecimentos marcantes para o país, nomeadamente nos tempos contemporâneos.
Desde a conquista aos mouros pelo nosso primeiro rei a 11 de Janeiro de 1148 até ao liberalismo, Óbidos conheceu um passado excepcional no todo nacional, cujo momento mais importante terá sido a sua oferta como prenda de casamento pelo rei D. Dinis à sua mulher que acabaria por ficar eternizada como Rainha Santa.
A consequente entrada do burgo para a Casa das Rainhas de Portugal, valeu-lhe fama e glória e um apadrinhamento por parte das soberanas patente nas obras sociais, património religioso e poder administrativo, sobre uma parcela importante do território que designamos hoje por Oeste. |

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Pesquisas científicas atestam a chegada das ginjeiras ao país pelos gregos ou romanos, outros defendem que a árvore/arbusto há muito que estava disseminada nas nossa terras, embora com outras variantes.
Por certo, temos a existência de vários conventos na região, instituições religiosas que, essencialmente no século XVII, tiveram um papel fulcral no desenvolvimento do que é hoje a nossa gastronomia, com as suas variantes de doçaria e produção de licores.
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A abundância do fruto, hoje quase exclusivamente produzido na aldeia do Sobral da Lagoa, terá, acredita-se, influenciado a produção do licor. Esta é uma tese fácil de defender considerando o legado que estes espaços religiosos deixaram nos nossos hábitos alimentares.
A nossa dieta mediterrânica, sempre apreciou ser rematada com a degustação de uma boa aguardente ou licor. A entrada da ginjinha nos nossos hábitos alimentares terá acontecido cedo, quebrado o silêncio das paredes dos conventos com o advento do liberalismo, generalizando-se a produção caseira pela abundância do fruto e exigência dos gostos e paladares pela degustação de um licor que respeitando a tradição, é uma deliciosa bebida licorosa bem apaladada, digestiva e natural. |
A confecção da ginja para uso doméstico é uma tradição que vem de longe na região. A sua venda a copo nas tabernas é um hábito profundamente português que se sofisticou e ficou eternizado para a história de Óbidos pela mão de José Ferreira Duarte Montez (1905/1979). Homem de origens modestas, chegou a Óbidos para trabalhar nas minas de gesso da antiga companhia industrial portuguesa e cedo, pela sua perspicácia e jeito para o negócio, percebeu o potencial da vila, pelo número de visitantes que aqui afluíam, abrindo o primeiro bar há mais de cinquenta anos, que veio a eternizar a Ginja de Óbidos num ambiente de conforto e requinte, propício ao convívio e à degustação do licor.
Ao Montez (como ficou conhecido para a história), deve-se o pioneirismo e a visão comercial que deu início à venda da ginja a copo com a abertura do primeiro bar da vila, associando para sempre a imagem de Óbidos ao licor, tornando-se há décadas o ex-líbris da vila e o seu produto artesanal mais carismático. Á Oppidum, na qualidade de produtor, cabe a responsabilidade bem obidense de manter a tradição, dando continuidade à herança de presentear os apreciadores, com uma panóplia de sabores e aromas à altura dos palatos mais exigentes.
Ao Montez, figura cativante e incontornável da história contemporânea de Óbidos, com o seu perfil de bom vivant e exímio contador de histórias, deve-se ainda a criação da “noite de Óbidos” que marcou as últimas gerações e ao longo dos últimos 50 anos atrai à vila visitantes portugueses e estrangeiros que procuram no ambiente calmo e pitoresco dos seus bares, o convívio e companheirismo das tertúlias, muitas vezes com amizades criadas à mesa, tendo como único elo comum um cálice de ginja. |