Sobral da Lagoa
 

Com os seus 650 habitantes, a aldeia do Sobral da Lagoa situa-se a cerca de 4 km da vila de Óbidos, sendo a mais pequena freguesia do concelho. Uma das particularidades deste espaço administrativo tem a ver com o facto de existir uma só localidade, justamente a sede da freguesia, centro onde habitam a larga maioria dos seus moradores.

Estendendo-se ao longo da cumeada da serra, a povoação é uma das mais pitorescas do Oeste, quer na organização do espaço urbano, com o casario branco a descer em socalco as encostas nascente e poente, quer ainda pelas magníficas paisagens, que abrangem toda a região, com uma grande panorâmica sobre o castelo de Óbidos e largas vistas para as Serras de Aire, Candeeiros, Montejunto e Cesaredas. A oeste a Lagoa de Óbidos e o Atlântico dominam o horizonte e influenciam o micro clima de acentuada relevância para a actividade agrícola.

A uma altitude perto dos 100 metros, as encostas viradas a oeste são as mais férteis para a lavoura. É neste ambiente de minifúndio que desde sempre os agricultores do Sobral da Lagoa cultivam de forma mais ou menos espontânea as ginjeiras, que para além de fonte de rendimento extra à sua actividade agrícola, dividem propriedades, servem de protecção das searas aos ventos e consolidam valados nos terrenos em socalco.

Terra de gente laboriosa que vive da labuta no campo, a aldeia é ainda conhecida pela produção das afamadas cebolas e pela hospitalidade das suas gentes, que maioritariamente levam uma vida de trabalho duro dedicado à terra. Visitar o Sobral da Lagoa no período da floração das ginjeiras entre a segunda semana de abril e meados do mês de maio é uma experiência bucólica imperdível com o mar de flores em paletas de branco impossíveis de reproduzir, a descer ondulante as cercanias em direcção às várzeas.

Fortes ventos do quadrante norte, uma exposição solar influenciada pelas brisas atlânticas e a humidade provocada por nevoeiros matinais que crescem nas colinas vindas da Lagoa de Óbidos, fazem desde há muito das ginjas do Sobral da Lagoa o fruto desejado por muitos licoristas para a produção das suas ginjas.
Na última década, como resultado do aumento da procura do licor, assistiu-se à valorização comercial do fruto, com os produtores locais a plantarem mais ginjeiras e outros vindos de fora nomeadamente de Alcobaça, atraídos pelas condições excepcionais do Sobral da Lagoa para a produção do melhor fruto, aqui encontrarem os melhores requisitos para a plantação dos seus pomares de gingeiras.  

Nos finais de junho, princípios de julho, o Sobral pinta-se de vermelho com as suas ginjeiras carregadas de fruto. Ainda hoje camponeses com os seus burros carregam cestos cheios de ginja a partir de quintais e parcelas de terreno, onde é impossível a operação de maquinaria agrícola.

Nesta época do ano, a azáfama mobiliza todos na apanha das desejadas ginjas que irão dar origem à Ginja de Óbidos Oppidum.

O Sobral na História
 
Conforme o texto publicado nas páginas 416 e 417 do volume 9º do dicionário Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal, editado em 1880 pela livraria Editora de Mattos Moreira &Companhia que abaixo transcrevemos, a aldeia do Sobral da Lagoa, foi fundada em 1583 por Domingos dos Santos Ferreira Neto.

Este é um documento que pela sua analise e fiabilidade do autor, se reveste da maior importância como um dos pontos de partida para a investigação da história da aldeia e desvendar um conjunto de particularidades a aguardar resposta por parte dos historiadores, tais como:
 
Volume 9º do dicionário Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal


- As raízes do forte fervor religioso das suas populações, que se mantém até aos nossos dias;

- A razão da ordenação de tantos padres originários da aldeia;

- Distribuição da terra;

- A origem de um conjunto de casas agrícolas e a riqueza produzida pelas mesmas, (fenómeno impar no concelho de Óbidos, precisamente na sua freguesia mais pequena), fenómeno bem patente no tamanho e qualidade de construção das casas que rodeiam o centro histórico da aldeia.

- Razões da origem da imigração para os EUA nos finais do século XIX, que se manteve por vários ciclos, até aos anos 60 do século passado.

- Inicio da produção de cebolas, o produto agrícola de maior importância para a economia rural da aldeia.

- Razão e inicio da plantação dos Ginjais que dão origem à Ginja de Óbidos Oppidum, cultura praticamente exclusiva, do Sobral da Lagoa;

Relógio de Sol incrustado na esquina da capela de Nossa Senhora da Conceição
   
Tudo isto num contexto da Freguesia mais pequena do concelho de Óbidos, quer em área, quer em população, constituída unicamente por uma (lugar), com uma situação geográfica peninsular, devido ao facto do Sobral da Lagoa não ser ponto de passagem e ficar situado nas encostas que acolhem a aldeia, num certo isolamento em comparação com o outras localidades do concelho.
 
Chafariz de Baixo, bebedouro utilizado pelos pastores e agricultores para dar de beber aos rebanhos e ás centenas de burros, principal meio de carga e locomoção durante séculos na aldeia.  
Igreja de S. Sebastião, padroeiro da aldeia.
 
Sabe que nem ginjas!